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PROJETO GÊNESIS

O Gênesis nasceu quando eu parei de querer apenas acreditar.

Eu tinha uma experiência pessoal, muitos anos de prática clínica e várias observações que faziam sentido para mim. Mas faltava o principal: saber se aquilo era real, reproduzível e mensurável.

DE ONDE VEIO A PERGUNTA

Primeiro veio a vida. Depois veio a pesquisa.

Minha história com o Gênesis não começou em um laboratório. Começou muito antes, com um acidente grave, muitas cirurgias, uma recuperação longa e a experiência de descobrir, no meu próprio corpo, o quanto somos vulneráveis e, ao mesmo tempo, capazes de adaptação.

Anos depois, quando engravidei, essa percepção ganhou outro significado. Eu já conhecia como médica as intercorrências da gestação; como mãe, porém, comecei a estudar de forma muito mais intencional alimentação, metabolismo, hábitos e ambiente materno.

Essa busca continuou no consultório. Eu observava pacientes, orientava, acompanhava, recebia retornos e acumulava histórias. Até que a pergunta ficou maior do que a experiência.

A PERGUNTA CENTRAL

Se organizarmos melhor fatores modificáveis durante a gestação, conseguimos produzir impacto mensurável na saúde materna e infantil?

Eu ainda não tenho essa resposta. É justamente por isso que o projeto existe.

O QUE O GÊNESIS É

Uma intervenção educativa que precisa ser testada.

O Gênesis está sendo estruturado como uma intervenção digital, educativa e longitudinal em saúde materno-infantil. Durante a gestação, organiza conteúdos relacionados a alimentação, atividade física, sono, saúde emocional, álcool e nicotina, suporte social, relacionamento, rotina e preparação para a chegada do bebê.

Depois do nascimento, a proposta é continuar acompanhando temas ligados a cuidados, ambiente familiar, parentalidade e desenvolvimento infantil.

A tecnologia entra como meio. Ela permite organizar conteúdo, acompanhar utilização, entender adesão e, principalmente, estudar uma intervenção que poderia alcançar mulheres muito além dos limites de um consultório.

COMO O ESTUDO FOI DESENHADO

Na prática, a pergunta virou um ensaio clínico digital.

A ideia é acompanhar gestantes desde o começo da gravidez e comparar, de forma randomizada, quem recebe apenas o acompanhamento programado do estudo com quem recebe também a intervenção digital completa do Gênesis.

8.034

participantes: alvo aproximado de recrutamento, já considerando uma margem conservadora de 20% para perdas.

6.426

participantes analisáveis previstas para o desfecho primário.

≤ 16

semanas de gestação no momento da inclusão.

1:1

randomização entre grupo controle e grupo intervenção.

< 37

semanas: prematuridade é o desfecho primário do protocolo.

O CAMINHO DA PARTICIPANTE

Da entrada no estudo até os primeiros anos da criança.

  1. Entrada

    Gestante com 18 anos ou mais, gestação única e idade gestacional igual ou inferior a 16 semanas, com acesso regular a smartphone e capacidade de responder aos questionários digitais em português.

  2. Consentimento e avaliação inicial

    A participante passa pelo consentimento eletrônico e por uma avaliação basal antes da randomização.

  3. Randomização

    O sistema distribui as participantes de forma automatizada, em proporção 1:1, entre controle e intervenção, com estratificação por paridade e antecedente de prematuridade.

  4. Acompanhamento durante a gestação

    O grupo controle participa das coletas programadas. O grupo intervenção recebe acesso contínuo à plataforma, conteúdos, recomendações e reavaliações adaptativas.

  5. Parto

    No nascimento são coletados os principais desfechos maternos e neonatais.

  6. Depois do nascimento

    A proposta é continuar acompanhando o desenvolvimento infantil aos 6, 12, 18 e 24 meses.

O QUE A INTERVENÇÃO ACOMPANHA

A plataforma não olha para hábitos como coisas isoladas.

Ela foi pensada para acompanhar fatores que se cruzam ao longo da gestação e mudar a intensidade das orientações conforme o perfil de risco vai sendo reavaliado.

Nutrição
Atividade física
Sono
Saúde mental
Suporte social
Contexto ocupacional
Espiritualidade

ALÉM DA PREMATURIDADE

O estudo olha outros desfechos.

Entre eles estão peso ao nascer, morbidade neonatal, UTI, ventilação e sepse, além de ganho de peso gestacional e outras complicações maternas. O desenvolvimento infantil entra como desfecho exploratório no seguimento.

ÉTICA E SEGURANÇA

A pesquisa precisa proteger antes de medir.

O desenho prevê consentimento eletrônico, proteção de dados e fluxos de segurança para situações sensíveis. Antes de qualquer captação, o protocolo precisa passar pela avaliação ética correspondente.

Esses elementos descrevem a versão atual do protocolo em desenvolvimento e ainda podem ser refinados com orientação acadêmica, estatística e ética antes do início do estudo.

O QUE ELE NÃO É

Não é uma promessa de resultado.

O Gênesis não substitui o acompanhamento pré-natal, não faz diagnóstico e não deve ser usado para transformar convicções pessoais em condutas médicas.

Também não parte da ideia de que tudo pode ser prevenido ou de que a mãe é responsável por todo desfecho da gestação. Isso seria cientificamente errado e humanamente injusto.

O que eu quero é organizar o que já sabemos, identificar o que ainda é hipótese e medir, com método, se uma intervenção estruturada realmente modifica algum desfecho importante.

ONDE A PESQUISA ESTÁ

Ainda estamos construindo a resposta.

O projeto científico maior foi desenhado como um ensaio clínico randomizado digital, com grupo intervenção e grupo controle, prematuridade como desfecho primário e acompanhamento da criança ao longo dos primeiros anos de vida.

Essa estrutura está em desenvolvimento e preparação para avaliação ética. Algumas etapas ainda serão refinadas com orientação acadêmica e metodológica.

Eu não quero que o estudo confirme aquilo em que eu acredito. Quero que ele me diga a verdade.

PARTICIPAÇÃO NA PESQUISA

A fase de captação ainda não está aberta.

O estudo ainda está em desenvolvimento e preparação para avaliação ética. Quando a captação for oficialmente aberta, este será o ponto de acesso para informações, elegibilidade e consentimento.

Pesquisa nacional, digital, gratuita e voluntária

A entrada no estudo só será disponibilizada quando houver aprovação ética e início formal da fase de recrutamento.

Captação ainda não iniciada